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sábado, 14 de abril de 2018

Beato Pier Giorgio Frassati: Uma alma feita para os mais altos píncaros


A alma pura e idealista de Pier Giorgio nunca se rebaixou aos vales da mediocridade ou aos abismos do pecado. Com sua morte prematura se tornou um estandarte vivo da juventude cristã.
“Ave Maria, piena di grazia, il Signore è con te, Tu sei benedetta fra le donne…”
Com o rosário na mão direita e os bastões de esqui na esquerda, ele contemplava o panorama coberto pela neve. O vento soprava generoso ali no topo, a mais de 2000 m de

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, guerreiro e santo

Nascido em 1360, no Castelo de Sernache de Bonjardim, filho de um dos mais ilustres senhores do reino, D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem Militar dos Hospitalários, teve D. Nuno a educação militar dos nobres.
Aos 16 anos casou-se com D. Leonor de Alvim, muito virtuosa e tida como a mais rica herdeira do reino.
Tiveram três filhos: dois meninos, que morreram cedo, e uma menina, D. Beatriz, que foi tronco da Casa de Bragança.
Porém Nuno não se satisfazia com ser pacato castelão. Lembrava-se do dia em que fora armado cavaleiro, dos juramentos solenes que fizera, e perguntava a si mesmo:

"Passarei toda a vida assim? Para isto recebi tão solenemente a espada, sobre a qual fiz tão sérias promessas?"

O Rei D. Fernando, o formoso, entregara grande parte do reino ao invasor castelhano, sem qualquer resistência; homem apático, mole, desfibrado, mereceu de Camões o severo juízo: "um fraco rei faz fraca a forte gente".
E havia também o "grande desvario": Fernando ousara colocar no trono de Sta. Izabel, como Rainha de Portugal, a legítima esposa de um fidalgo que exilara — D. Leonor Teles, "a aleivosa".
As guerras tinham esgotado o tesouro real, levando o Rei a alterar o valor da moeda — espécie de inflação da época — logo acarretando carestia, câmbio negro e fome.
Condestável de Portugal, Beato Nuno Alvares Pereira, punho, heróis medievaisEm 1373 o exército castelhano invade o sul do país, a esquadra lusitana é fragorosamente derrotada em Saltes, Lisboa é cercada.
O Rei D. Fernando não tem força moral para resistir, os fidalgos da fronteira se desinteressam da defesa, bandeiam-se. O reino agoniza.
Nuno, aos 22 anos de idade, participa da defesa de Lisboa. Uma incursão fora dos muros, contra as tropas castelhanas que pilhavam os vinhedos, o coloca subitamente, com seus 50 homens, face a 250 inimigos.

sábado, 29 de abril de 2017

Beato Ivan Merz, Leigo. Apóstolo Católico entre os jovens na Croácia

Rara foto do Beato Ivan Merz.
Nasceu em Banja Luka, em 16 de dezembro de 1896, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, em uma família liberal. Foi batizado em 02 de fevereiro de 1897. No ambiente multiétnico e multi-religioso de sua cidade natal, realizou seus estudos de nível primário e secundário, que terminou quando em Sarajevo era assassinado o príncipe herdeiro Francisco Fernando (28 de junho de 1914).

Por vontade de seus pais e não sua, entro na Academia Militar de Wiener Noustadt, que abandonou depois de três meses, molestado pela corrupção do ambiente. Em 1915, iniciou os estudos na Universidade de Viena, aspirando a ser professor, para pode dedicar-se à instrução e educação dos jovens na Bósnia, seguindo o exemplo de seu professor Ljubomir Marakovic, por quem sentia uma profunda gratidão por haver-lhe ajudado a descobrir as riquezas do catolicismo.

Em março de 1916 teve que alistar-se no exército. Foi enviado ao “front” italiano, onde passou a maior parte dos anos de 1917 e 1918. Ao terminar a I Guerra Mundial, encontrava-se em Banja Luka, ode vivenciou a mudança política e o nascimento do novo Estado Iugoslavo. A experiência da guerra fê-lo amadurecer espiritualmente, pois, impressionado pelos horrores dos quais foi testemunha, colocando-se nas mãos de Deus, propôs-se tender com todas as suas forças à perfeição cristã.

É possível seguir seu desenvolvimento espiritual graças a seu diário íntimo, que começou a escrever durante seus estudos secundários e prosseguiu no exército, no “front”, e durante os estudos universitários. Nele se aprecia que sua santidade não foi fácil, que teve que lutar muito por seu ideal.
Atormentava-o o problema do amor e, logo, o da dor e da morte, que resolvia à luz da fé.

sábado, 15 de abril de 2017

O pai nosso e os vícios capitais

Orlando Fedeli


Hugo de São Victor, famoso mestre medieval, deixou-nos esplêndidos comentários e sermões, além de sua famosa obra 'Didascalion'.

Um de seus muitos opúsculos trata dos Cinco Septenários que haveria no tesouro da Igreja: os sete pedidos do Pai Nosso; os sete vícios capitais; os sete dons do Espírito Santo; as sete virtudes e, por fim, as sete bem-aventuranças.

Poeticamente – esse excelente autor medieval sempre fala com poesia –, ele nos explica que os sete vícios capitais são comparáveis aos sete rios de Babilônia, que espalham todo o mal, gota a gota, por toda a terra, pois deles defluem todos os pecados. Por isso, lembra ele, a Escritura nos diz :

'Junto aos rios de Babilônia nós nos assentamos e choramos lembrando-nos de ti, ó Sion'(Sl CXXXVI,1).

Hugo de São Victor coloca os vícios capitais em uma certa ordem lógica, a fim de relacioná-los com os sete pedidos do Pai Nosso. Assim ele ordena os vícios capitais: soberba, inveja, ira, preguiça ou tristeza, avareza, gula e luxúria.

O primeiro vício capital, causa primeira de todos os nossos males espirituais, é a soberba. Por esse vício atribuímos a nós mesmos, ao nosso próprio ser, a causa do bem existente em nós. Pela soberba deixamos de reconhecer a Deus como fonte de todo o bem. Ao fazer isso, o homem deixa de amar o Bem em si mesmo, para amar o bem enquanto existe nele próprio, porque existe nele. Dessa forma, o homem rompe a sua união com a fonte do bem. Condenando a maldade do orgulho, exclama o mestre:

'Ó peste de orgulho, que fazes tu aí? Por que persuadir o riacho a se separar de sua fonte? Por que persuadir o raio de luz a romper sua ligação com o Sol? Por que, senão para que o riacho, cessando de ser alimentado pela fonte, seque, e que o raio de luz, cortada sua união com o Sol, se converta em treva? Por que, senão para que assim ambos, no mesmo instante em que cessam de receber o que ainda não têm, percam imediatamente aquilo mesmo que já têm?'

sábado, 8 de outubro de 2016

Fuga da ociosidade - Santo Afonso de Ligório

É preciso notar aqui que é um engano acreditar que o trabalho é nocivo à saúde do corpo, quando é certo que o exercício corporal ajuda muito a conservar a saúde.
Muitas vezes o que faz apresentar escusas do trabalho, não é tanto o perigo da saúde, mas o peso e fadiga que o acompanham e que desejamos evitar. Ah! Quem lançar os olhos no Crucifixo, não andará esquivando-se dos trabalhos. — Um dia, Sór Francisca do Santo Anjo, Carmelita, se lamentava de ter as mãos todas dilaceradas de tanto trabalhar, e Jesus Crucificado lhe respondeu: Francisca, olha as minhas mãos e depois lamenta-te. 
Além disso, o trabalho é um remédio contra os enfados de solidão, e também contra as numerosas tentações que muitas vezes assaltam os solitários. — Sto. Antão abade achava-se um dia muito atormentado de pensamentos desonestos e ao mesmo tempo muito fatigado da solidão: não sabia o que fazer para se aliviar. Apareceu-lhe então um anjo, que o conduziu ao pequeno jardim que havia ali perto; e, tomando uma enxadinha, começou a lavrar a terra, e, em seguida, se pôs a orar. De novo, principiou a trabalhar e depois tornou a orar. Com isto, ensinou ao santo o modo como havia de conservar a solidão e ao mesmo tempo livrar-se das tentações, passando da oração ao trabalho, e do trabalho a oração. Não se deve trabalhar sempre, mas também não se pode orar sempre, sem se arriscar a perder a cabeça, e se tornar depois absolutamente inútil para todos os exercícios espirituais. — É por isso que Sta. Teresa, depois de sua morte, apareceu à Sór Paula Maria de Jesus e lhe recomendou que nunca abandonasse os exercícios corporais sob pretexto de fazer obras mais santas, assegurando-lhe que tais exercícios aproveitam muito para a salvação eterna. 
De outra parte, os trabalhos manuais, quando se fazem sem paixão e sem inquietação, não impedem de fazer oração. — Sor Margarida da Cruz, arquiduquesa de Áustria e religiosa descalça de Sta. Clara, se dedicava aos ofícios mais trabalhosos do mosteiro, e dizia que, entre outros exercícios, o trabalho não é somente útil às monjas, mas também necessário, visto que não impede o coração de se elevar para Deus.
Narra-se que S. Bernardo, um dia vendo um monge que não deixava de orar enquanto trabalhava, disse-lhe: “Continua, meu irmão, a fazer sempre o que fazes agora, e alegra-te, porque, deste modo, quando morreres, serás livre do purgatório”. O mesmo santo seguia esta prática como refere o escritor de sua vida; pois, não descuidava dos trabalhos exteriores e ao mesmo tempo se recolhia todo em Deus.


Santo Afonso de Ligório no livro: A Verdadeira Esposa de Cristo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Que é um Santo?

São Domingos Sávio
É um católico que durante a sua vida praticou de modo heroico as virtudes cristãs. É um homem como outro qualquer porém em sua vida, três elementos devem ficar illibados: a RETIDÃO de doutrina, a retidão de VIDA e o HEROÍSMO na prática das virtudes. Faltando um destes três elementos não pode haver santidade. Deve professar integralmente a religião de Jesus Cristo, de modo que não se encontre em sua doutrina professada, ou ensinada, falada ou escrita nenhum erro voluntário no que diz respeito aos dogmas da Igreja Católica. É o primeiro distintivo. A Retidão de vida consiste em praticar integralmente a vida cristã, tal qual é revelada por Jesus Cristo e revelada pela autoridade da Igreja.

Nenhum vício, nenhum elemento contrário à lei divina pode entrar em sua vida. Deve afastar todo pecado mortal e todo apego ao pecado venial. Com estes dois elementos temos um homem PERFEITO, mas NÃO temos ainda o Santo. O que consiste a santidade propriamente dita é o cumprimento do terceiro requisito ou  a prática heroica da virtude. A prática HEROICA da virtude, é mais que simples prática da virtude. O afastamento de todo pecado já é uma virtude e pode até ser uma virtude heroica num ponto determinado. Chama-se heroico o que exige de nossa parte um esforço acima do comum.

É mais que bravura, é BRAVURA desmedida.

É mais que coragem, é ARROJO extraordinário.

É mais que virtude é um HEROÍSMO da virtude.

E o santo é aquele que pratica a virtude de modo heroico. Agradecer um serviço prestado é educação. Retribuir um serviço é nobreza, fazer o bem ao próximo é virtude. Fazer bem aos INIMIGOS é heroísmo. Do mesmo modo pode-se dizer: Cumprir com os mandamentos de Deus e da Igreja é ser bom Católico. Fazer mais do que Deus pede é ser virtuoso. Praticar os conselhos evangélicos é ser santo. Eis o que é um santo. É ser homem pela natureza e ser anjo pela virtude.

sábado, 19 de março de 2016

Solenidade de São José

Ite ad Ioseph, et quidquid ipse vobis dixerit, facite — “Ide a José e fazei tudo que ele vos disser” (Gen. 41, 55).

Sumário. Aos outros Santos Deus concedeu o poderem proteger numa necessidade especial; mas a São José, como atesta a experiência, concedeu o ser protetor em todas as necessidades. O nosso Santo não somente tem vontade de auxiliar-nos, mas de certa maneira obrigação, pois que por nossa causa foi ele elevado a sua alta dignidade. Imaginemos portanto que o Senhor, vendo as nossas aflições, nos diz o que o Faraó disse ao povo do Egito no tempo da fome: Se quiserdes ser socorridos, ide a José!
I. Deus concedeu aos demais Santos o serem protetores numa necessidade especial; mas a São José concedeu o ser protetor universal. Assim disse Santo Tomás, e Santa Teresa acrescenta que a experiência assim o demonstra. Socorrer em todas as necessidades quer dizer que São José socorre a todos que se lhe recomendam. Prova evidente disso acha-se na ordem da Igreja que de todos seja realizado o Ofício do Patrocínio de São José, onde se diz: Sperate in eo, omnis congregatio populi, effundite coram illo corda vestra (1) — “Esperai nele, toda a congregação do povo; derramai diante dele os vossos corações”.
O nosso Santo nos socorrerá não somente por inclinação de vontade, mas ainda de certa maneira reconhece-se obrigado a proteger todos os fiéis, e especialmente os que a ele recorrem; porquanto é por causa deles que recebeu a honra insigne de fazer às vezes de pai junto a Jesus. Se não fora necessária a Redenção, São José ficara privado de tão grande honra. Tendo-lhe Deus recomendado o cuidado do Redentor, encarregou-o no mesmo tempo do cuidado de todos os remidos, a fim de que nos assista e nos ajude a conseguirmos o fruto da Redenção, que é a salvação eterna.
Quão poderoso é o patrocínio de São José, avalie-se pelo fato que, juntamente com Maria, gozou da familiaridade mais íntima de Jesus Cristo. Os validos mais íntimos dos monarcas terrestres têm mais influência para obterem graças. Devemos por isso crer que, como a santidade de São José, exceção feita da de Maria, excede a de todos os demais Santos, assim a intercessão de São José, depois da de Maria, é mais poderosa para com Deus do que a intercessão de qualquer outro Santo.

sexta-feira, 18 de março de 2016

“O mundo sempre nos fará guerra” - São Francisco de Sales

Assim que a tua devoção se for tornando conhecida no mundo, maledicências e adulações te causarão sérias dificuldades de praticá-la. Os libertinos tomarão a tua mudança por um artifício de hipocrisia e dirão que alguma desilusão sofrida no mundo te levou por pirraça a recorrer a Deus.

Os teus amigos, por sua vez, se apressarão a te dar avisos que supõem ser caridosos e prudentes sobre a melancolia da devoção, sobre a perda do teu bom nome no mundo, sobre o estado de tua saúde,sobre a necessidade de viver no mundo conformando-se aos outros e, sobretudo, sobre os meios que temos para salvar-nos sem tantos mistérios.

Filoteia, tudo isso são loucas e vãs palavras do mundo e, na verdade, essas pessoas não têm um cuidado verdadeiro de teus negócios e de tua saúde: Se vós fôsseis do mundo, diz Nosso Senhor, amaria o mundo o que era seu; mas, como não sois do mundo, por isso ele vos aborrece.

Vêem-se homens e mulheres passarem noites inteiras no jogo; e haverá uma ocupação mais triste e insípida do que esta? Entretanto, seus amigos se calam; mas, se destinamos uma hora à meditação ou se nos levantamos mais cedo, para nos prepararmos para a santa comunhão, mandam logo chamar o médico, para que nos cure desta melancolia e tristeza. Podem-se passar trinta noites a dançar, que ninguém se queixa; mas por levantar-se na noite de Natal para a Missa do Galo, começa-se logo a tossir e a queixar de dor de cabeça no dia seguinte.

Quem não vê que o mundo é um juiz iníquo, favorável aos seus filhos, mas intransigente e severo para os filhos de Deus?

Só nos pervertendo com o mundo, poderíamos viver em paz com ele, e impossível é contentar os seus caprichos – Veio João Batista, diz o divino Salvador, o qual não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possesso do demônio. Veio o Filho do Homem, come e bebe, e dizeis que é um samaritano.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Quem é São José?

O mais santo, o mais ilustre e o mais perfeito homem que já vira o mundo, a criatura mais perfeita saída das mãos de Deus, depois de Maria.
Quem foi São José? O mundo o conhece e a história registra seus feitos heroicos? Não. O Evangelho, até mesmo o Evangelho, é parco em notícias, e fala pouco de São José.
E, no entanto, o mundo não vira maior nem mais perfeita criatura. Acima dele só Jesus e Maria. Abaixo, todos os homens, ainda os maiores Patriarcas e profetas da Antiga Lei, os maiores santos da Nova Lei.
Criatura singular e privilegiada! O Pai adotivo de Jesus Cristo, nosso Deus, e Esposo castíssimo de Maria, Mãe de Deus! Não se pode acrescentar nada mais a isto.
O Santo Patriarca fora predestinado por Deus, estava no plano divino da Encarnação. Jesus havia de nascer de uma Virgem, Maria Imaculada, e esta Virgem Puríssima seria esposa do castíssimo e santíssimo São José.
“Ad virginem desponsatam viro ciu nomen erat Joséph”. O anjo Gabriel, diz São Lucas – (cap. I, 20) – fora enviado a uma virgem desposada com um varão que se chamava José.
Estas simples palavras do Evangelho definem São José, sua missão na terra e os singulares e sublimes privilégios que o adornaram.
O Anjo anuncia à Virgem o mistério adorável da Encarnação, e ligado a este mistério, o nome de São José. Era o esposo virginal da Mãe do Verbo. Seria o Pai adotivo, o guarda, o sustentáculo do Salvador do mundo.
Seria chamado Pai do Pai de todas as criaturas. Amparo de quem ampara o Universo. Senhor e Governador do Senhor dos senhores, do Rei dos reis. Este é São José.
O Evangelho o chama e define também – O Justo. “Joseph cum esset justas… José como
era justo…”.
Eis ai, pois, quem é São José: Esposo de Maria. Pai adotivo de Jesus. O maior dos Santos. O justo.

sábado, 2 de janeiro de 2016

A predestinação de São José e sua eminente santidade

"Qui minor est inter vos, hic major est.” (Luc., IX, 48)


Não se pode escrever um livro sobre a Santíssima Virgem sem falar da predestinação de São José, de sua eminente perfeição, do caráter próprio de sua missão excepcional, de suas virtudes e de seu atual papel na santificação das almas.

Sua preeminência sobre todos os outros santos cada vez mais afirmada na Igreja

A doutrina segundo a qual São José é o maior dos santos depois da Virgem Maria tende a tornar-se uma doutrina comumente aceita na Igreja, que não teme declarar o humilde carpinteiro superior em graça e em beatitude aos patriarcas, a Moisés, aos maiores dos profetas, a São João Batista, e também aos apóstolos, a São Pedro, a São João, a São Paulo, e por mais forte razão superior em santidade aos maiores mártires e aos maiores doutores da Igreja. O menor, por sua profunda humildade, é em razão da conexão das virtudes, o maior pela elevação da caridade: “Qui minor est inter vos, hic major est” (Luc. IX, 48).

Essa doutrina é ensinada por Gerson1 e por São Bernardino de Sena2. A partir do século XIV, torna-se cada vez mais corrente, é admitida por Santa Teresa, pelo dominicano Isidoro de Isolanis, que parece ter escrito o primeiro tratado sobre São José3, por São Francisco de Sales, por Suárez4, mais tarde por Santo Afonso Maria de Ligório5, mais recentemente pelo cônego Sauvé6, pelo cardeal Lepicier7 e por M. Sinibaldi8; essa doutrina está bem exposta no Dicionário de Teologia Católica, no artigo Joseph (saint),  por A-M. Michel.

sábado, 22 de março de 2014

São José e o amor da vida escondida

O quanto fala alto o silêncio da vida de São José, escondida aos olhos dos homens, mas resplandecente diante de Deus


Pouco diz a Sagrada Escritura sobre a vida do pai nutrício de Jesus, São José, cuja solenidade é celebrada hoje pela Igreja universal. Ela limita-se a citar a sua genealogia [1], o fato de que era "justo" [2], o sonho no qual recebeu a visita de um anjo [3], a sua profissão [4] e a paternidade que ele verdadeiramente exerceu junto de Jesus [5]. Nada mais. E, se isso pode levar algumas pessoas a desprezar o valor e a virtude desse grande santo, é porque não consideraram o quanto fala alto o silêncio de uma vida oculta aos olhos dos homens, mas resplandecente diante de Deus.

É importante considerar, em primeiro lugar, a grandeza dos bens que Deus colocou nas mãos de São José, para apreciar com justeza o valor de seu escondimento. A providência quis que esse homem fosse depositário fiel da virgindade perpétua de Maria Santíssima, sua esposa; do menino Jesus, o próprio Deus feito homem; e – não fossem os dois o bastante – do segredo da encarnação do Verbo. Uma vida toda passada ao lado de Jesus e Maria e tão poucas palavras ditas a seu respeito, nenhuma palavra saída de sua boca... Como isso é possível?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A vida religiosa do último Imperador da Áustria Estudo dos documentos do Processo



“Entre os reis que se distinguiram por terem louvado e glorificado o Senhor com a santidade da vida e das obras, está incluído, sem dúvida, o Servo de Deus Carlos da Áustria. Ele, de fato, consciente da origem divina de toda autoridade humana,  não aproveitou da própria posição de soberano para obter vantagens pessoais e sempre agiu segundo a justiça, para bem do seu povo, para o crescimento do Reino de Deus e a liberdade da Igreja que, como está expresso também na mensagem do Concílio Vaticano II aos governantes, pede a estes que assegurem “a liberdade de crer e de praticar sua fé, a liberdade de amar o seu Deus e de servi-lo, a liberdade de viver e levar aos homens sua mensagem de vida”

Com estas palavras cheias de luz, abre-se o texto do “Decreto sobre as virtudes”, redigido por ocasião do reconhecimento, por parte dos Consultores Teológicos (29 de outubro de 2002) e dos Cardeais e Bispos (em abril de 2003), da prática em grau heróico das virtudes teologais, cardeais e anexas pelo Servo de Deus Carlos da Áustria.

Autora Giovanna Brizi 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

São Domingos Sávio: o mais jovem santo não mártir da Igreja


Falecendo com apenas 15 anos, aliou inocência e pureza angélicas à sabedoria de homem maduro, alcançando a heroicidade das virtudes

                                                                                                                                                                Plinio Maria Solimeo

O primeiro e mais abalizado biógrafo de São Domingos Sávio foi seu diretor espiritual e mestre, o grande São João Bosco. Dele extraímos os dados para este artigo.

 Filho de Carlos Sávio e Brígida Agagliate, Domingos Sávio nasceu em Riva, vila de Castelnuovo de Asti, em 2 de abril de 1842.

Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade, aprendeu com extraordinária facilidade as orações da manhã e da noite, que rezava já quando tinha apenas quatro anos de idade”.

  
 São João Bosco observa São Domingos Sávio em êxtase
Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou seu prato e retirou-se a um canto. Seu pai perguntou-lhe depois por que fizera isso. Ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como o fazem os bichos”.

Quando tinha cinco anos, ia à igreja com sua mãe; sua atitude devota chamava a atenção de todos. Se o templo estava ainda fechado, ajoelhava-se junto à porta, e aí ficava orando até que fosse aberto, não lhe importando se chovia ou nevava, se fazia calor ou frio.

Nessa idade, aprendeu a ajudar a Missa, o que fazia com muita devoção, apesar da dificuldade que tinha para transportar o enorme missal.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Beato Alberto Marvelli


 Ao beatificar no domingo, 5 de setembro, em Loreto (Itália) o engenheiro italiano da «Ação Católica» Alberto Marvelli (1918-1946), o Papa João Paulo II deu à Igreja universal uma figura exemplar para jovens e políticos.  

São marcas que o arcebispo de Loreto, dom Ângelo Comastri, afirmou descrevendo o novo beato, a quem o Papa definiu como «engenheiro da Caridade»: «Alberto Marvelli era um jovem e como jovem se fez santo»; «desta forma, Marvelli recorda-nos que a juventude não é a idade da irreflexão, nem a idade do tempo para queimar e desperdiçar, não é a idade dos caprichos e das diversões», explicou.
«A juventude é o tempo mais belo no qual se pode fazer o bem - reconheceu o arcebispo em declarações a Rádio Vaticano -. São Felipe Néri dizia aos jovens de seu tempo: “Felizes vós, jovens, que tens tanto tempo para fazer o bem!”.
Alberto Marvelli havia compreendido isso e traz aos jovens precisamente esta verdade». Também «era um jovem cristão comprometido em política», onde «deixou um sinal de limpeza, de transparência, de dignidade, de correção, que é uma grande mensagem para os políticos de hoje. Pode-se estar na política e se pode ser santo, e esta é uma grandíssima mensagem que vem da vida de Alberto Marvelli», sublinhou o prelado.
Originário de Ferrara (Itália), onde nasceu a 21 de março de 1918, Alberto Marvelli era o segundo dos seis filhos de Alfredo, bancário, e Maria, comprometida no associacionismo da época – Senhoras da Caridade, mulheres da Ação Católica e Oratório salesiano -, cuja figura foi fundamental inclusive em seu crescimento espiritual. Assim Alberto também participou no Oratório salesiano e na «Ação Católica», onde amadureceu sua fé com uma opção decisiva: «Meu programa de vida se resume em uma palavra: santidade».
De caráter forte e decidido e amante do esporte, em especial o ciclismo, Alberto orava, dava catequese e demonstrava zelo apostólico, caridade e serenidade, segundo aponta a biografia distribuída pela Santa Sé. Elegeu como modelo de vida juvenil Pedro Jorge Giorgio Frassati (1901-1925) - membro da SSVP e da Ação Católica Italiana, beatificado por João Paulo II em 1990.

SERMÕES DE São João Maria Vianney o Cura D’Ars


São João Crisóstomo diz: "– Olhe aquela jovem mundana e leviana, ou melhor, olhe para aquela pequena chama do fogo diabólico, que com sua beleza e gestos "flamboyants", acende no coração da-quele jovem, o fogo da concupiscência. Você não os vê? Um mais do que o outro, buscando atrair-se mutuamente pelos seus charmes e toda a sorte de truques e ardis? Se você puder, pode contar, Ó infeliz pecador: o número de seus maus pensamentos, ou maus desejos e suas ações pecaminosas! Não é nesses lugares que você ouve aquilo que agrada aos seus ouvidos, que inflama e queima os corações, fazendo dessas assembléias fornalhas de "falta-de-vergonha"? E não é por acaso ali, meus caros irmãos, que os rapazes e moças, bebem diretamente na fonte do crime, a qual logo, logo, se transforma num rio que transborda o seu leito, arruinando e envenenando tudo à sua volta? Pois eu digo; continuem! Sigam em frente, pais e mães desavergonhados! Sigam para o Inferno, onde a justiça e a fúria de Deus os aguarda com todas as ações que vocês praticaram, permitindo aos seus filhos correrem tais riscos. Pois sigam em frente, porque eles não demorarão muito a se reunirem com vocês, já que vocês deixaram a estrada pa-vimentada para eles. Sigam em frente e contem o número de anos que seus filhos e filhas perderam! Apresentem-se diante do Supremo Juiz para prestarem contas de suas vidas e ali vocês verão que o seu pastor tinha toda a razão ao proibir essa espécie de prazer diabólico! Você me dirá: –Ah! Você está apresentando as coisas maiores do que elas são realmente! Pois bem, você acha que eu estou falando demais? Então ouça o que os Santos Padres da Igreja dizem a esse respeito! São Efraim diz-nos que a dança é a perdição de moças e mulheres, a cegueira dos homens, o lamento dos anjos e a alegria dos demônios. Meu Deus! Será que alguém possui olhos tão enfeitiçados a ponto de acreditar que não existe mal nenhum nisso, enquanto essa é a corda com a qual o demônio arrasta a maioria das almas para o Inferno? Então continuem, sigam em frente pobres pais, cegos e perdidos! Sigam desprezando o que o seu pastor está dizendo para vocês! Continuem no caminho que vocês estão seguindo! Ouçam tudo e não tirem proveito de nada! Deixem entrar por um ouvido e sair pelo outro! 


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ASSIM MORREU CARLO ACUTIS


Carlo tinha estado doente apenas alguns dias antes de sua morte (cerca de dez dias antes) e ninguém imaginava que o que parecia ser uma simples gripe era uma leucemia tipo M3, considerada por todos os médicos a pior forma de leucemia que existe e da qual dificilmente alguém pode se salvar.

Inicialmente, não o médico que o acompanhou, mas outro médico amigo da família, tinha confundido a enfermidade de Carlo com caxumba.

O jovem Carlos não sabia que em breve estaria no céu. Os pais se recordam que um dia quando estavam no hospital, no quarto, fazendo-lhe companhia, ouviram o filho dizer: "ofereço todo o sofrimento que eu vou ter que sofrer pelo Papa e pela Igreja, para que eu não vá purgatório, mas direto para o céu.

Na manhã de domingo Carlos mostrou-se numa grave fraqueza e os pais decidiram chamar o antigo pediatra dele, que aconselhou a remoção imediata para uma clínica, coincidentemente especializada em doenças de sangue . Os médicos logo perceberam a gravidade da situação e preocupados deram a notícia aos pais que não acreditavam que Carlo estava destinado a morrer rapidamente.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Relato de possível milagre pela intercessão de Carlo Acutis em Campo Grande - Mato Grosso do Sul


Pe. Marcélo Tenorio

12 de julho - 2012
Campo Grande - MS


Aconteceu aqui, em Campo Grande. 

No dia 15 de junho cheguei, com um grupo de paroquianos de uma peregrinação à Terra Santa. Estávamos cansados. No sábado, dia 16, pela manhã, fiquei em casa. Alguém desesperado veio de um padre para dar extrema unção, procurou-me na Paróquia, mas eu nao me encontrava na Matriz, já que preferi ficar em casa, repousando da viagem.

À tarde fui atender as pessoas. Minha secretária avisou-me que havia alguém atras de um padre para dar a extrema unção a um jovem com poucas horas de vida.

O hospital fica do outro lado da cidade e , na verdade, não estava eu querendo ir, visto que naquele local dois padres, que moram próximo, dão assistência, de forma que liguei várias vezes para eles, mas sem resultado. Então, não me restava outra coisa que ir eu mesmo ao Hospital.