Mostrando postagens com marcador Caráter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caráter. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de abril de 2018

O homem superior é um solitário

O homem superior é um solitário. Na época atual do homem-massa, em que o gosto se generaliza num sentido de perspectiva comum, de anseios comuns, de opiniões comuns, não é de admirar haver de um mesmo fato uma interpretação igual e um mesmo comentário. O homem-superior é, naturalmente, um alheiado ao homem-massa; é uma exceção. O homem-massa encerra conceitos comuns, perspectivas comuns, gostos comuns. Isto pode ser um ideal... Para os homens-massa. Nunca será um ideal para o homem que sente a si próprio, que se observa como exceção, cujo ritmo de alma é, naturalmente, diferente da do homem vulgar. Esta exceção é muitas vezes perigosa. Destas exceções saem também os “perturbadores da ordem”...
Buscar regras diferentes de pensar, intuições mais profundas, vozes que só a solidão nos permita ouvir, guiar-se por anseios que vêm libertos das pressões do meio, é permitido somente aos que se ausentam, aos refratários. O homem de gosto superior nunca será o mesmo. Suas reações diferem quando em meio dos seus semelhantes. Más companhias tornam-se muitas vezes necessárias para conhecer o homem comum. “São sempre más companhias todas aquelas que não são de nossos iguais”. (Nietzsche).
E isto representa sacrifícios que não se podem calcular.
Dentro da sociedade, os homens vivem ainda a pré-história. A maior parte tem ainda uma mentalidade primitiva, arcaica, e as grandes conquistas, através dos séculos, são apanágio de camadas sociais reduzidíssimas.
As vastas massas ainda raciocinam com os mesmos convencionalismos primitivos. Há homens de todas as culturas no Ocidente: bizantinos, góticos, barrocos, clássicos racionalistas, gregos, romanos,

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O Livro da Ordem de Cavalaria (c. 1274-1276)



RAMON LLULL (1232-1316)
Revisão: Rui Vieira da CUNHA (IHGB)

Deus honrado, glorioso, que sois cumprimento de todos os bens, por vossa graça e vossa bênção começa este livro que é da Ordem de Cavalaria.


INICIA O PRÓLOGO 
Por significação dos VII planetas, que são corpos celestiais e governam e ordenam os corpos terrenais, dividimos este Livro de cavalaria em VII partes, para demonstrar que os cavaleiros têm honra e senhorio sobre o povo para o ordenar e defender.

A primeira parte é do começo de cavalaria; a segunda, do ofício de cavalaria; a terceira, do exame que convém que seja feito ao escudeiro com vontade de entrar na ordem de cavalaria; a quarta, da maneira segundo a qual deve ser armado o cavaleiro; a quinta, do que significam as armas do cavaleiro; a sexta é dos costumes que pertencem ao cavaleiro; a sétima, da honra que se convém ser feita ao cavaleiro.

Em uma terra aconteceu que um sábio cavaleiro que longamente havia mantido a ordem de cavalaria na nobreza e força de sua alta coragem, e a quem a sabedoria e ventura o haviam mantido na honra da cavalaria em guerras e em torneios, em assaltos e em batalhas, elegeu a vida ermitã quando viu que seus dias eram breves e a natureza o impedia, pela velhice, de usar as armas. Então, desamparou suas herdades e herdou-as a seus infantes, e em um bosque grande, abundante de águas e árvores frutuosas, fez sua habitação e fugiu do mundo para que o enfraquecimento de seu corpo, no qual chegara pela velhice, não lhe desonrasse naquelas coisas que, com sabedoria e ventura ao longo do tempo o haviam honrado tanto. E, por isso, o cavaleiro cogitou na morte, relembrando a passagem deste século ao outro, e entendeu a sentença perdurável a qual havia de vir.

Em um belo prado havia uma árvore muito grande, toda carregada de frutos, onde o cavaleiro vivia naquela floresta. Debaixo daquela árvore havia uma fonte muito bela e clara, da qual eram abundantes o prado e as árvores que ali eram ao redor. E o cavaleiro havia em seu costume, todos os dias, de vir àquele lugar adorar e contemplar e pregar a Deus, a qual fazia graças e mercês da grande honra que Lhe havia feito todos os tempos de sua vida neste mundo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

O que é do homem e o que é da mulher


A grande “polêmica” em falar na natureza do homem e da mulher é que esses conceitos já são completamente inexistentes na vida moderna.

Hoje todos vivem n’um nominalismo atroz, naquela idéia de que não há essências diferentes, onde tudo é mais ou menos igual e a diferença existe apenas no nome que damos às coisas.

Necessariamente, pelo simples fato de haver uma diferença grosseira entre ambos os sexos, há também funções que são melhor distribuídas s a um do que a outro, que inspiram mais virtudes em um do que no outro.

Quando concedemos direitos ou delegamos deveres, necessariamente precisamos de uma autoridade que garanta o o exercício desses direitos e o cumprimento desses deveres, e por isso mesmo deve haver, na própria instituição familiar, um sistema de hierarquia.

Se não admitimos a necessidade dessa hierarquia, voltamos para o nominalismo, onde todos tem a mesma autoridade, e por isso não há mesmo autoridade alguma. E se não há autoridade, não há ordem.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Separando os homens dos meninos


Vamos falar de um assunto um tanto desgastado. Tanto para as mulheres, que escreveram à exaustão sobre o tema, daquele jeitinho peculiar delas, idealizando entre suspiros e devaneios o seu homem dos sonhos; como também para os homens, que loucos para atenderem as damas e se perderem em seus braços, não se atentavam para a essência e se perdiam nos acidentes, causando a pitoresca situação em que, sem entender coisa alguma, tentavam segurar o leite da vaca com uma peneira.
É normal os homens se assustarem com o tanto de exigências cobrado pelas mulheres, que apesar de alguns exageros por parte delas, é natural que assim seja. Afinal, a parte da imaginação do casal é da mulher. Elas têm essa peculiar característica de imaginar, fantasiar, esperar e sentir, oscilando de intensidade na medida em que fica perto de chegar “aqueles dias”. Além disso, por incrível que pareça, elas têm uma certa[1] razão nessa exigência toda. Ora, se São Pedro é a pedra onde foi edificada a Igreja, e se a família é uma pequena igreja, ou melhor, uma igreja doméstica, nada mais justo que uma mulher procure construí-la numa pedra bem forte, viril e fiel. E quem seria a pedra da família? Nós, os varões.

domingo, 2 de julho de 2017

Como Não Conquistar uma Mulher

Hypnos, o deus do sono. Vocês vão entender o motivo ao longo do texto.


Eu sei que tem uma moçada que gosta, mas eu sempre detestei essa história de ter que ler livros específicos para conquistar mulheres. Pensava que se eu não fosse capaz de fazer isso por mim mesmo, é porque eu não merecia ter mulher alguma.

Acho tudo isso de uma covardia extrema, e explico o motivo.

Mulheres em geral são espíritos dispersos, parece que há uma facilidade na mulher em se distrair. Por exemplo, enquanto o homem está prestando atenção no conteúdo de uma palestra, a mulher está vendo se o palestrante está bem vestido, se o relógio dele é bom et cetera.

O mundo feminino como um todo é uma chuva de sugestões que tentam dispersá-la a todo momento, e por mais que ela saiba o que, em tese, ela deveria fazer, é muito difícil aliar a vontade à inteligência -sim, pro homem isso é mais fácil, embora não signifique excelência, muito menos que todos exerçam essa capacidade.

O papel do homem nisso tudo é peneirar os estímulos externos e preencher a mulher com o que é bom, belo e justo. Por isso é sempre dever do homem proteger, proteger a mulher das loucuras do ambiente, dos estímulos mentais sutilmente hipnóticos que nos ocorrem na confusão do mundo.
Todas essas técnicas de linguagem corporal, de trabalho da voz, de construção de físicos 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Beato Bártolo Maria Longo

Bacharel em Direito. Edificou o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia em 1876
Foi Beatificado por João Paulo II em 26 de Outubro de 1980.
O Papa João Paulo II o cita muitas vezes em sua  Encíclica sobre o Rosário: Rosarium Virginis Mariae

Bartolo Longo nasceu em Latiano, nas proximidades de Brindisi,  localizada no sul da Itália, em 10 de Fevereiro de 1841. Seus pais foram Bartolomeu (médico) e Antonia Luparelli (filha de um magistrado). Desde criança manifesta-se muito engenhoso, vivo e de caráter ardente. Aos seis anos foi levado a um internato dos Padres Escolapios, em Francavilla Fontana. Ali realizou os estudos primários e secundários (11 anos). O resto de seus estudos foram realizados em  Lecce e Nápoles. Aqui termina seus estudos de direito em 1864, aos 23 anos. Era de temperamento passional, sua estrutura o conduzia ao céu ou ao inferno; jamais a um lugar intermediário. Era elegante, bom moço e inteligente.

Na Universidade segue a moda anticristã da  época e dedica-se à política, às superstições e ao espiritismo: chegou a ser "medium" de primeiro grau e sacerdote espírita. Foi seu tempo de alienação juvenil, de busca desenfreada. O estudo, as diversões, a música (tocava piano) e os amigos preenchiam seus dias. Não sobrava tempo para a oração. E Deus foi desaparecendo dia após dia. Por outro lado, a filosofia de Hegel e o racionalismo de Renan o tinham totalmente preso. Começou a odiar a igreja, organizando conferências contra ela e louvando aos que criticavam o clero.

Esta experiência serviu-lhe paradoxalmente de degrau para redescobrir a fé definitivamente. Neste processo, foram instrumentos de Deus especialmente duas pessoas: um professor amigo (Vincenzo Pepe) e um sacerdote dominicano (o Padre Alberto Radente).

Sua conversão, ocorrida no dia do Sagrado Coração de Jesus de 1865, na igreja do Rosário de Nápoles, o levou a tomar decisões radicais: abandonou a vida mundana e dedicou-se a obras de caridade e ao estudo da religião. Renunciando inclusive a propostas muito vantajosas para a vida matrimonial.

Deus quis escolher este homem pecador como instrumento para propagar sua glória com a construção de um santuário dedicado à Santíssima Virgem Maria, que mais tarde será chamado Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Ali outros pecadores iriam  encontrar perdão e paz.

Em 1872  radica-se em  Pompéia por motivos profissionais: a condessa De Fusco confiou-lhe a administração de suas propriedades. Ficou profundamente impressionado com a miséria humana e religiosa dos pobres camponeses. A partir de uma inspiração especial decide se dedicar ao catecismo e à difusão do  Santo Rosário.

Em 1876, por sugestão do Bispo de Nola, inicia a "campanha de um 'salário mensal'" para construir um templo em Pompéia. Como resultado da cooperação humana e da intercessão prodigiosa de Maria surge um formoso Santuário. E em torno a esta construção nasce uma cidade mariana, enriquecida com numerosos institutos de caridade.

sábado, 29 de abril de 2017

Beato Ivan Merz, Leigo. Apóstolo Católico entre os jovens na Croácia

Rara foto do Beato Ivan Merz.
Nasceu em Banja Luka, em 16 de dezembro de 1896, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, em uma família liberal. Foi batizado em 02 de fevereiro de 1897. No ambiente multiétnico e multi-religioso de sua cidade natal, realizou seus estudos de nível primário e secundário, que terminou quando em Sarajevo era assassinado o príncipe herdeiro Francisco Fernando (28 de junho de 1914).

Por vontade de seus pais e não sua, entro na Academia Militar de Wiener Noustadt, que abandonou depois de três meses, molestado pela corrupção do ambiente. Em 1915, iniciou os estudos na Universidade de Viena, aspirando a ser professor, para pode dedicar-se à instrução e educação dos jovens na Bósnia, seguindo o exemplo de seu professor Ljubomir Marakovic, por quem sentia uma profunda gratidão por haver-lhe ajudado a descobrir as riquezas do catolicismo.

Em março de 1916 teve que alistar-se no exército. Foi enviado ao “front” italiano, onde passou a maior parte dos anos de 1917 e 1918. Ao terminar a I Guerra Mundial, encontrava-se em Banja Luka, ode vivenciou a mudança política e o nascimento do novo Estado Iugoslavo. A experiência da guerra fê-lo amadurecer espiritualmente, pois, impressionado pelos horrores dos quais foi testemunha, colocando-se nas mãos de Deus, propôs-se tender com todas as suas forças à perfeição cristã.

É possível seguir seu desenvolvimento espiritual graças a seu diário íntimo, que começou a escrever durante seus estudos secundários e prosseguiu no exército, no “front”, e durante os estudos universitários. Nele se aprecia que sua santidade não foi fácil, que teve que lutar muito por seu ideal.
Atormentava-o o problema do amor e, logo, o da dor e da morte, que resolvia à luz da fé.

sábado, 22 de abril de 2017

A VONTADE

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO PE. J. HOORNAERT, S.J.


17.ª Arma: a vontade

Neste nosso século de moleza e de comodidades, em que os moços, com um tostão, poupam-se a fadiga de cem metros de caminho que deveriam fazer a pé, tomando os carros elétricos, ou o ascensor, para evitar a subida de quarenta degraus, não será demasiado insistir sobre a grande importância da vontade.
Multíplices são as causas que enervam a sensibilidade.
Muito poucas as que contribuem para tornar viril o jovem, dando-lhe a verdadeira robustez.
A sólida formação do carácter e a educação geral da vontade, é que se deveria ter em vista, para toda e qualquer formação dos jovens.
Que fazer de todos esses abúlicos, desses anêmicos, cujo sangue parece carecer de glóbulos vermelhos e abundar de leucócitos?
Convencei-vos de que o menino mais disciplinado, o que tivesse maiores prêmios no colégio e fosse mesmo presidente de Congregação e conquistasse, cada ano, o primeiro prêmio de comportamento, estaria terrivelmente exposto a fraquear, se lhe falhasse a vontade.
Não é verdade? A pureza, sendo uma luta, exige lutadores e não, para repetir uma celebre expressão, “franguinhos piedosos”. São delicadinhos e ternos os frangos, mas, não vedes? que papel desempenham nos combates?!…

Não basta ser alguém ajuizado, é necessário que seja também enérgico e até ardente, pois “nada se faz de grande, sem as paixões”; e para se vingar em qualquer empresa, “é necessário ter o diabo no corpo”. (Tocqueville).
Retomemos, por alguns instantes, o assunto das leituras, encarado sob este aspecto, de que nos ocupamos: o da vontade.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

BEATO LUIS MAGAÑA SERVIN


Arandas, povoado localizado na região de "Los Altos" de Jalisco, é uma terra que, como quase todas as terras de nossa nação mexicana, tem um legado histórico interessante.
Em seu tempo, pertenceu à Diocese de Valladolid, hoje Arquidiocese de Morelia, Michoacán, cujas terras pertenciam a um cavalheiro espanhol chamado Andrés de Villanueva, quem em meados do século XVII, fundou a primeira comunidade não precisamente indígena, mas sim miscigenada entre nativos, espanhóis e alguns franceses. Por essa razão, as pessoas dessa região de "Los Altos" de Jalisco mantém alguns traços  europeus: pele clara, cabelo loiro, estatura alta e - em geral - olhos claros.
Luis foi uma criança tranquila. Não gostava de se envolver em confusões, ainda que adorasse as brincadeiras infantis daquele tempo: bolinhas de gude, rodar pião, yo-yo, "las ramitas". Mais tarde, se apaixonou pelo jogo de beisebol.

Já um pouco mais crescido, passou a ajudar a seu pai Raymundo na "tenería" (n.d.t. local onde se curtem e preparam peles, "curtume"); com empenho e espírito de sacrifício, levantava-se bem cedo e ia à Missa das 5 da manhã, juntamente com seu pai, em seguida tomava café e ia à escola. Pela tarde, ajudava nas atividades de curtume, rezava o rosário em família, jantava e então ia para a cama.

Assim eram todos os dias, seguindo um horário fixo e disciplinado; duas vezes por semana ia aprender o catecismo, ensinado por uma catequista, onde aprendia palavra por palavra as respostas do livro do padre Ripalda.

"Cresceu muito parecido ao seu pai - recorda Ignacio González López - sendo seu braço direito em tudo, chegando inclusive a ficar à frente da "teneria". Ainda que Luis trabalhasse em meio aos couros malcheirosos, estava sempre alegre e bem-humorado".
Várias testemunhas afirmaram ser Luis muito conhecido e apreciado pelo seu interesse nas questões sociais, impulsionado pela leitura da encíclica Rerum Novarum que Sua Santidade o Papa Leão XIII publicou em 1891. Juan Camarena Vázquez assegurou que ele pertencia à Associação de Santa María de Guadalupe, que reunia os obreiros, camponeses e artesãos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

São Luís Martin - Coragem

Ao  amor  de  Deus,  ao  espírito  de  Fé  e  à  Esperança  unia-se,  em  meu  Pai,  uma  extrema  e  corajosa  caridade  para  com  o  próximo.  Era  sua  nota  dominante. Se,  durante  a  noite,  o  sinal  de  alarme  anunciava algum  incêndio,  levantava-se  logo,  e  ia  para  onde houvesse  maior  perigo. Certa  vez,  contando  isso  às  minhas  companheiras, no  internato  da  Abadia,  uma  delas  exclamou:  "Em casa  dá-se  justo  o  contrário,  Papai  se  esconde  sob  as cobertas!"  Fiquei  bastante  admirada! Essa  intrepidez  bem  conhecida  de  Papai,  deixava-nos  inquietas  quando  não  o  víamos  chegar  à  hora certa.  Temíamos  sempre  que  tivesse  querido  separar contendas,  recebendo  assim  algum  ferimento,  ou  ainda  que  se tivesse  lançado  ao  socorro  de  alguma  pessoa afogada.  Era bom  nadador  e  não  teria  hesitado  em expor  sua  vida  para  salvar  a  de  outrem.  Em  sua  juventude,  tentara  vários  salvamentos,  um  dos  quais  foi particularmente  dramático.  Quase  perdeu  a  vida,  pois seu  companheiro  apertava-lhe  desesperadamente  o pescoço,  paralisando  seus  movimentos. Sempre  pensei  que  seu  gosto  pela  aventura,  indo socorrer  os  viajantes  perdidos  nas  geleiras  não  era alheio  a  seu  atrativo  pelo  Mosteiro  do  grande  São Bernardo,  retirado  nas  alturas,  longe  do  tumulto  da cidade. Considerando  as  organizações  atuais  para  adolescentes,  penso,  também  que  Papai  teria  gostado  de  ser Escoteiro se  houvesse  em  seu  tempo,  ele  que  se  alegrava,  outrora,  de  ser  filho  de  um oficial  do  exército!
Acampar  à  aventura  ser-lhe-ia  uma  felicidade! Possuía,  com  efeito,  uma  invencível  coragem,  decisão,  resistência  ao  sofrimento e energia:  era  um  verdadeiro  filho  de  oficial. É  muito  significativa  esta  carta  de  minha  Mãe, relatando  a  ocupação  de  Alençon  pelos  Prussianos, em  Novembro  de  1870 :  "Enviaram  exploradores  à  floresta.  Meu  marido  foi sábado  de  manhã  e  deveria  passar  a  noite;  todavia,  não  havendo mais  perigo,  retiraram  o  corpo  de  guarda,  de  sorte  que  ele  voltou cerca  de  meia-noite. "
"É  possível  que  os  homens  de  quarenta  a  cinqüenta  anos ainda  partam;  é  quase  certo.  Meu  marido  não  se  perturba,  absolutamente.  Jamais,  pediria  dispensa  e  diz,  frequentemente,  que se  fosse  livre,  teria  logo  se  alistado  como  voluntário."
Sua  valentia  era  notada  pelos domésticos. Uma empregada  dos  Buissonnets  relembra-a,  escrevendo ao  Carmelo: "O  Sr.  Martin  era,  sobretudo,  um  santo  e  tão  corajoso!  Não tinha medo de  nada ... "

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Que é um Santo?

São Domingos Sávio
É um católico que durante a sua vida praticou de modo heroico as virtudes cristãs. É um homem como outro qualquer porém em sua vida, três elementos devem ficar illibados: a RETIDÃO de doutrina, a retidão de VIDA e o HEROÍSMO na prática das virtudes. Faltando um destes três elementos não pode haver santidade. Deve professar integralmente a religião de Jesus Cristo, de modo que não se encontre em sua doutrina professada, ou ensinada, falada ou escrita nenhum erro voluntário no que diz respeito aos dogmas da Igreja Católica. É o primeiro distintivo. A Retidão de vida consiste em praticar integralmente a vida cristã, tal qual é revelada por Jesus Cristo e revelada pela autoridade da Igreja.

Nenhum vício, nenhum elemento contrário à lei divina pode entrar em sua vida. Deve afastar todo pecado mortal e todo apego ao pecado venial. Com estes dois elementos temos um homem PERFEITO, mas NÃO temos ainda o Santo. O que consiste a santidade propriamente dita é o cumprimento do terceiro requisito ou  a prática heroica da virtude. A prática HEROICA da virtude, é mais que simples prática da virtude. O afastamento de todo pecado já é uma virtude e pode até ser uma virtude heroica num ponto determinado. Chama-se heroico o que exige de nossa parte um esforço acima do comum.

É mais que bravura, é BRAVURA desmedida.

É mais que coragem, é ARROJO extraordinário.

É mais que virtude é um HEROÍSMO da virtude.

E o santo é aquele que pratica a virtude de modo heroico. Agradecer um serviço prestado é educação. Retribuir um serviço é nobreza, fazer o bem ao próximo é virtude. Fazer bem aos INIMIGOS é heroísmo. Do mesmo modo pode-se dizer: Cumprir com os mandamentos de Deus e da Igreja é ser bom Católico. Fazer mais do que Deus pede é ser virtuoso. Praticar os conselhos evangélicos é ser santo. Eis o que é um santo. É ser homem pela natureza e ser anjo pela virtude.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

RELIGIOSIDADE VARONIL

Muitos jovens se afastam da vida religiosa ao verificarem o contraste entre a aparente religiosidade exterior de alguns companheiros e sua esterilidade espiritual. Outros, trazem a prática da religião demasiado sentimento e por seu sentimentalismo fazem com que a religiosidade seja mal interpretada pelas pessoas sérias. Religiosidade é o culto de Deus conjuntamente prestado pela razão, o coração e a vontade. O coração ou sentimento tem, pois, também seu papel, mas um elemento não deve demasiar-se em deferimento dos outros dois. Da religiosidade exageradamente sentimental pode-se dizer o que, infelizmente, alguns afirmam de toda a religiosidade: ela é própria só para o povo e as mulheres.

Como? A religião é boa somente para o povo e as mulheres? Para os cultos, inteligentes homens modernos não serve? — Certo que serve! A religiosidade bem compreendida, real, varonil, serve e sem contestação!

E quando será ela, real e varonil?

Podem alguns ter idéias de religião adulterada quanto o quiserem; não poderão negar que ela é um dos mais belos ornatos que constituem a verdadeira nobreza do homem.

Em nossos tempos, tentaram tirar à religião sua autenticidade, e substituí-la por diversas especulações científicas; em vão! Onde se atacou a religião, começou a decadência da virtude, da honestidade, do sentimento do dever, da consciência, do caráter, — numa palavra, dos mais belos ideais da humanidade. Podemos buscar exemplos na história dos antigos gregos, dos romanos e outros povos. Ali, a vida dos próprios sábios, que procuravam tudo o que era bom e nobre, não se isentava de falhas, porque eles não conheciam a ver dadeira religiosidade.

Mas, que é a verdadeira religiosidade?

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ana Hickmann e a urgência da masculinidade

Se tomássemos cuidado com as palavras, arte esquecida no Brasil, diríamos que a tentativa de assassinato de Ana Hickmann no fim-de-semana está sendo tratada como uma fatalidade. Ou seja, como uma inexorabilidade do destino, um determinismo, um caminho obrigatório da vida com o qual alguns, por azar, acabam por cruzar.
Apesar de discussões sobre temas como a violência serem freqüentes, assim que o chamado à realidade de um caso concreto como o que quase tirou a vida da modelo e apresentadora se deslinda diante de nossos olhos, refugiamo-nos de nossas próprias idéias, ao abrigo sagrado e onipresente da culpa no acaso inevitável. Ana Hickmann e demais vítimas de violência se tornam meras estatísticas.
Ignoramos-nos rapidamente da lição de Richard M. Weaver, de que idéias têm conseqüências, furtando-nos a encarar algum resultado inesperado de nossas tão imodestas pretensões para toda a sociedade.
Ana-hickmann-jewelryAna Hickmann foi vítima de um maníaco com claros sinais de esquizofrenia, que criou um mundo à parte em sua cabeça onde ambos viviam um romance cifrado. É uma espécie de Eldorado, Annwn ou Sião imaginária, onde tudo é perfeito e as dores da existência terrena são dissipadas. O que para um indivíduo é uma doença mental, para intelectuais é uma ideologia abraçada em massa, e os céticos desta Neverland são considerados traidores.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os Homens do Faroeste: Valores Masculinos Através de Filmes



Fonte [*]

Tradução: Direita Realista


Na época do desbravamento do oeste americano, principalmente entre 1860 até o fim do século, um herói poderia surgir de uma pequena história que percorre grandes distâncias. Um homem podia se tornar uma lenda atirando em outro homem pelas costas, apenas para ser reconhecido como “o gatilho mais rápido” porque um bêbado viu o ocorrido de um ângulo errado, ainda assim seria referido como um homem bravo ou poderoso por causa de boatos.


O surgimento das “lendas” é um tema bem influente e bastante usado em filmes de faroeste, até os dias de hoje com o lançamento de 3:10 to Yuma, dirigido por James Mangold, um filme sobre um homem que está tentando provar seu valor para sua família e para si mesmo. Essa fórmula atua como uma trama central em diversos filmes de faroeste, com homens “construindo a sua própria reputação” e então a discussão do quanto de verdade há em suas histórias, o quanto suas vidas eram honestas, e o que garantiu seu lugar na memória dos outros que conviveram com eles.


No entanto, isso também é uma demonstração em potencial do que é ser homem em tal situação — o que é respeitado e o que é temido na época da história é sempre usado como pano de fundo de um personagem nesses contos. Servindo ao propósito da discussão do que caracteriza um homem, os filmes de faroeste são o parametro perfeito para revisar o que um homem da sociedade moderna, da época de lançamento do filme, é ou foi.

domingo, 3 de abril de 2016

Mr. Bates, criado e cavalheiro

O mundo do entretenimento sempre foi temperado de violência e sexo. A arte, também. Até aí, nada de escandaloso. Mas, convenhamos, algumas séries de TV fazem uso disso sem justificativa que não seja a de atrair público. Se fosse gastar esse primeiro pedaço do texto listando todas as séries que usam sexo e violência como chamariz, não como recursos importantes do desenvolvimento de suas histórias, faltaria espaço.

Mas há séries que fogem desse padrão, e uma delas é “Downton Abbey”. Se você nunca assistiu, recomendo que comece a fazer isso o mais rápido possível. A história de “Downton Abbey” gira em torno dos Crawley, uma família aristocrática inglesa no começo do século XX que enfrenta um dilema: manter a tradição ou ceder à modernidade. Esse dilema é a linha-mestra da série e envolve tanto os membros da família aristocrática quanto seu pequeno exército de empregados. Apesar do aparente clima de novela da Globo, as personagens e a história são bem construídas, profundas e incrivelmente humanas.

Meu personagem preferido é John Bates, valete (serviçal pessoal) de Robert Crawley, Conde de Grantham, senhor da abadia de Downton. Mr. Bates, como é comumente chamado tanto pela família do conde quanto por seus colegas, servira o Conde de Grantham na Guerra dos Bôeres, ocasião em que foi ferido na perna direita e ficou coxo. Desde que chegou à residência do conde, passou por muitos percalços ao longo da série, situações que ameaçaram sua dignidade, sua honra e até sua vida.
Algo que particularmente me impressiona muito em Mr. Bates é a maneira como ele se mostra, em toda e qualquer situação, um verdadeiro cavalheiro. Ao sofrer acusações caluniosas de colegas de serviço, não usa a mesma arma contra eles, e evita até mesmo alimentar privadamente qualquer rancor. Chantageado, afasta-se da família do conde e daqueles que lhe são queridos para que não sejam atingidos por aquele mal. Em todas as ocasiões em que é vítima de uma injustiça ou tentam atingir as pessoas importantes para si, não mede esforços nem sacrifícios para protegê-los e assumir integralmente os danos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

A EDUCAÇÃO DA VONTADE


Três coisas têm grande influência sobre a vontade: o sentimento, a imaginação e o temperamento. Não somos totalmente senhores deles; o “livre arbítrio” do homem não é, pois, completo em nós. Tu mesmo deves ter notado que um dia te levantas triste e abatido, e que no dia seguinte, ao invés, estás tão alegre que terias vontade de dançar; e não podes dizer a razão nem do abatimento de ontem, nem da alegria de hoje.

O mesmo ocorre com a imaginação. De repente, e sem causa alguma, as recordações de um acontecimento passado emergem na tua memória, ou entãopor sob os vincos da tua fronte, idéias absurdas e imagens enganadoras se desenham. Donde vêm? Por que é que se apresentam naquele minuto preciso? Não saberias dizê-lo … E é de frequente que a nossa imaginação assim nos jogueteia, é a miúdo que nos mostra dificuldades imensas e obstáculos insuperáveis no caminho dos nossos trabalhos, para nos desgostar deles. Se tens um dente para mandar extrair ou tratar, não é o trabalho do dentista que é o mais doloroso; é a meia hora que passas na sala de espera, deixando livre campo à tua imaginação que te mostra, exagerando-o atrozmente, o sofrimento que te aguarda.

Pois bem, meu filho, se não somos totalmente senhores dos nossos sentimentos e da nossa imaginação, cumpre-nos entretanto tentar estender o reino da nossa vontade até à atividade deles; cumpre-nos velar sobre os sentimentos e tomar as rédeas à imaginação. Acordaste de mau humor? Não importa! Trata de sorrir e de cantar, já estarás vitorioso, – em parte ao menos.


Tens um trabalho de álgebra que fazer. Tua imaginação pinta-o sob imagens assustadoras: “Escuta, esse problema é tão difícil que vais suar frio!” Pois bem , contradize-a! Dize-lhe: “Não é verdade! És uma mentirosa, minha querida imaginação! A solução não é tão terrível assim; tu aumentas as dificuldades; para que pareçam maiores do que são … pois afronto-as”.

domingo, 20 de março de 2016

CONDE D'EU: UM EXEMPLO DE PRÍNCIPE

As vésperas do XXV Encontro Monárquico, que terá uma palestra, proferida pelo Professor Alexandre Armando dos Santos, intitulada "A verdadeira face do Conde d´Eu, revelada em sua correspondência pessoal", o Blog Monarquia Já tem o prazer de republicar uma sessão do compêndio de "Estudos de História Imperial", elaborado no ano de 1950 pelo Professor Helio Vianna, que tenta fazer justiça a biografia do grande Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu e Marechal do Exército Brasileiro, que sofreu grave campanha difamatória durante a Monarquia e na república é caluniado por muitos escritores.
Nesta sessão, o Professor Helio Vianna comprova, com documentos, a dignidade e honra do Conde d'Eu, mostrando como era justo e honesto com seus colegas de Exército, seja amparando veteranos desvalidos, solidarizando-se com também com os inválidos, ou concedendo o perdão a oficiais desleais. O Conde d'Eu, segundo este brilhante relato, foi também um dos maiores promotores do desenvolvimento do Exército do Brasil.

Confira:


O Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu
Marechal do Exército do Brasil
Herói da Guerra do Paraguai

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

John "Manila" Basilone

19 de Fevereiro de 1945
Neste dia morria em Iwo Jima o fuzileiro naval John "Manila" Basilone.
Basilone foi o único fuzileiro a receber a Medalha de Honra e a Cruz da Marinha durante a guerra.
A sua Medalha de Honra foi recebida quando estava em Guadalcanal, em Outubro de 1942.
No dia 24 daquele mês Basilone viu-se sozinho num bunker. Tinha um fuzil, algumas granadas, uma pistola e uma metralhadora avariada. Ao mesmo tempo em que tentava manter os japoneses afastados com granadas e disparos de fuzil e pistola, tentava reparar a metralhadora, algo que conseguiu no exato momento em que a sua posição foi assaltada por uma onda japonesa de ataque.
Quando ficou sem munições saiu da sua posição cercada apenas com uma pistola em punho, recuou até as linhas norte-americanas, pegou numa caixa de munições e voltou para o seu bunker, de onde recomeçou a disparar.
Quando ficou novamente sem munições sacou novamente da sua pistola e, no preciso momento em que estava certo de que iria morrer, chegaram reforços à sua posição.
Toda essa ação decorreu no espaço de 3 dias, período no qual ele praticamente não comeu e não dormiu. Após o fim da ação caiu exausto, tendo sido internado num hospital de campanha onde permaneceria se recuperando por 3 semanas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A figura do pai


A luta da esquerda para destruir a família é sobretudo a luta para destruir e/ou diminuir a figura masculina, infantilizando-a. O socialismo é uma forma eminentemente feminina de organizar a sociedade.


Fui ver o filme O Regresso, do diretor mexicano Alejandro Iñarritu, um belo filme que é narrado desde a perspectiva masculina. Não à toa está indicado para uma dúzia de estatuetas do Oscar. Merecido de tão bom. É uma história de superação, de coragem e de resistência diante de intempéries, feras selvagens e inimigos. O filme se passa na segunda metade do século XIX, portanto não faz muito tempo, e se reporta a fatos ocorridos na vida real.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O auxílio de Deus, que uniu os esposos!


"De fato, não é coisa fácil ser boa esposa. Acolher sempre amável e sorridente o esposo que entra em casa fatigado e aborrecido. Não se abandonar aos próprios caprichos e fantasia, mas fazer unicamente o que é razoável. Cuidar sempre dos filhos, com amor, mesmo se o menor é muito aborrecido, o segundo é turbulento e o terceiro é muito peralta. Sempre e com paciência praticar, entre eles, a justiça, ainda que o primogênito seja insuportável, questione dez vezes por dia com seus irmãos e irmãs. E ainda cuidar da cozinha, da casa, da limpeza, praticar a economia, e fazer a lavagem e os consertos, saber como se recebem e se fazem visitas...Sim, não é fácil ser uma boa esposa.

Mas não me queiram mal por isto, se constato o mesmo para a outra parte: "De fato, é difícil ser um bom esposo." Ter sempre em primeiro plano as necessidades materiais da família apesar das dificuldades da vida atual. Novos vestidos que serão necessários, ou a pintura do quarto, ou ainda lições às crianças, ora isto, ora aquilo. Apesar das preocupações e dos cuidados do pão cotidiano, deve achar tempo para ser pai de família e não somente um empregado de escritório. Saber, ao mesmo tempo, fazer companhia à esposa e brincar com os filhos, sentindo o peso da vida, saber em casa pôr de lado todo o amargor e todo o nervosismo. Não se preocupar se o jantar estar um pouco atrasado, não discutir se o prato favorito não sai bom, suportar pacientemente os brinquedos barulhentos dos filhos...Sim, não é fácil ser um bom marido.