terça-feira, 6 de junho de 2017

Beato Bártolo Maria Longo

Bacharel em Direito. Edificou o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia em 1876
Foi Beatificado por João Paulo II em 26 de Outubro de 1980.
O Papa João Paulo II o cita muitas vezes em sua  Encíclica sobre o Rosário: Rosarium Virginis Mariae

Bartolo Longo nasceu em Latiano, nas proximidades de Brindisi,  localizada no sul da Itália, em 10 de Fevereiro de 1841. Seus pais foram Bartolomeu (médico) e Antonia Luparelli (filha de um magistrado). Desde criança manifesta-se muito engenhoso, vivo e de caráter ardente. Aos seis anos foi levado a um internato dos Padres Escolapios, em Francavilla Fontana. Ali realizou os estudos primários e secundários (11 anos). O resto de seus estudos foram realizados em  Lecce e Nápoles. Aqui termina seus estudos de direito em 1864, aos 23 anos. Era de temperamento passional, sua estrutura o conduzia ao céu ou ao inferno; jamais a um lugar intermediário. Era elegante, bom moço e inteligente.

Na Universidade segue a moda anticristã da  época e dedica-se à política, às superstições e ao espiritismo: chegou a ser "medium" de primeiro grau e sacerdote espírita. Foi seu tempo de alienação juvenil, de busca desenfreada. O estudo, as diversões, a música (tocava piano) e os amigos preenchiam seus dias. Não sobrava tempo para a oração. E Deus foi desaparecendo dia após dia. Por outro lado, a filosofia de Hegel e o racionalismo de Renan o tinham totalmente preso. Começou a odiar a igreja, organizando conferências contra ela e louvando aos que criticavam o clero.

Esta experiência serviu-lhe paradoxalmente de degrau para redescobrir a fé definitivamente. Neste processo, foram instrumentos de Deus especialmente duas pessoas: um professor amigo (Vincenzo Pepe) e um sacerdote dominicano (o Padre Alberto Radente).

Sua conversão, ocorrida no dia do Sagrado Coração de Jesus de 1865, na igreja do Rosário de Nápoles, o levou a tomar decisões radicais: abandonou a vida mundana e dedicou-se a obras de caridade e ao estudo da religião. Renunciando inclusive a propostas muito vantajosas para a vida matrimonial.

Deus quis escolher este homem pecador como instrumento para propagar sua glória com a construção de um santuário dedicado à Santíssima Virgem Maria, que mais tarde será chamado Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Ali outros pecadores iriam  encontrar perdão e paz.

Em 1872  radica-se em  Pompéia por motivos profissionais: a condessa De Fusco confiou-lhe a administração de suas propriedades. Ficou profundamente impressionado com a miséria humana e religiosa dos pobres camponeses. A partir de uma inspiração especial decide se dedicar ao catecismo e à difusão do  Santo Rosário.

Em 1876, por sugestão do Bispo de Nola, inicia a "campanha de um 'salário mensal'" para construir um templo em Pompéia. Como resultado da cooperação humana e da intercessão prodigiosa de Maria surge um formoso Santuário. E em torno a esta construção nasce uma cidade mariana, enriquecida com numerosos institutos de caridade.

A castidade conjugal

Caros esposos, acabaste de vos unir pelas santas promessas, que acarretam novos e graves deveres, e eis que agora vos apresentais diante do Pai comum de todos os fiéis, para lhe ouvir as exortações e receber a bênção.
Pedimos-vos hoje que olheis para a Santíssima Virgem Maria, cujo título de Imaculada Conceição a Igreja celebrará depois de amanhã. Esse título afetuoso, que preludia todas as outras glórias de Maria, é um privilégio único, a ponto de Ela utilizá-lo para se identificar: 'Eu sou, disse ela à Santa Bernadete na gruta de Massabielle, eu sou a Imaculada Conceição.'
Uma alma imaculada! Quem dentre vós, ao menos nos melhores momentos, não desejou ter uma? Quem não ama o que é puro e imaculado? Quem não admira a brancura dos lírios refletidos no espelho de um lago límpido, ou os cumes nevada que refletem o azul do firmamento? Quem não inveja a alma cândida de Inês, de Luiz Gonzaga, ou de Teresinha do Menino Jesus?
O homem e a mulher eram imaculados quando saíram das mãos criadoras de Deus. Manchados depois pelo pecado, tiveram de começar, pelo sacrifício expiatório das vítimas sem mancha, a obra de purificação a que somente 'o preciosíssimo sangue de Cristo, o do Cordeiro imaculado e sem contaminação' (I Pd 1, 19) concedeu a eficácia redentora. E Jesus Cristo, para continuar a Sua obra, quis que a Igreja, a Sua Esposa Mística, fosse 'sem mácula, nem ruga... mas santa e imaculada' (Ef 5, 27). Caros esposos, esse é precisamente o modelo que o grande Apóstolo vos propõe: 'Maridos amai a vossas esposas, como também Cristo amou a Igreja' (Ef 5, 25), pois o que enobrece o sacramento do matrimônio é a relação existente entre ele e a união de Cristo com a Igreja (cf. Ef 3, 32).
Talvez penseis que a idéia de uma pureza sem mancha se adequa exclusivamente à virgindade, ideal sublime ao qual Deus não convida a todos os cristãos, mas tão somente a almas de elite. Vós conheceis algumas dessas almas, mas apesar de admirá-las, decidistes que a vossa vocação era outra. Sem se inclinar ao extremo da renúncia total dos gozos terrenos, vós, ao seguir a via ordinária dos mandamentos, desejais ver ao vosso redor uma gloriosa coroa de filhos, fruto da vossa união. E, todavia, o estado do matrimônio que Deus desejou para os homens em geral pode e deve ser puro e sem mancha.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Heitor e Aquiles: dois caminhos para a masculinidade


Para os antigos gregos, a Ilíada de Homero era a Bíblia em Andreia – Isto é, masculinidade, principalmente coragem masculina.

Diziam que Alexandre o Grande mantinha uma edição especial do poema épico (preparado por seu tutor Aristóteles) debaixo do travesseiro durante suas conquistas, e a lia costumeiramente. Para Alexandre, Aquiles era a andreia encarnada, e desta forma o jovem rei moldou sua vida no exemplo dele.

Quando começara sua conquista na Ásia, Alexandre tomou uma rota passando pelo túmulo de Aquiles e lhe prestou homenagem. Toda vez que ele duvidava de si mesmo, rezava à mãe de Aquiles, a Deusa Tétis, por consolação. Quando seu melhor amigo e general, Heféstion, foi morto em batalha, Alexandre lamentou profundamente, tal qual Aquiles, que sofrera por seu melhor amigo, Pátroclo.

Muitos jovens desde Alexandre tem encontrado inspiração em Aquiles, o poderoso e esguio guerreiro. Por que ele encarna um ideal que eles, do fundo de suas vísceras, ardentemente desejam: coragem indomável e potência física.

Ainda que Aquiles seja a perfeita encarnação de andreia, e tenha sobre si toda atenção e adulação, há outro personagem que exemplificou a masculinidade também na Ilíada, e que na realidade provê melhor caminho de como a maioria dos homens pode alcançar tal modelo.

Aquiles: sendo viril

Nada podia parar Aquiles na batalha. Não temia a ninguém, nem mesmo o Rei Agamenon, o líder eleito dos gregos em Tróia.

sábado, 29 de abril de 2017

Beato Ivan Merz, Leigo. Apóstolo Católico entre os jovens na Croácia

Rara foto do Beato Ivan Merz.
Nasceu em Banja Luka, em 16 de dezembro de 1896, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, em uma família liberal. Foi batizado em 02 de fevereiro de 1897. No ambiente multiétnico e multi-religioso de sua cidade natal, realizou seus estudos de nível primário e secundário, que terminou quando em Sarajevo era assassinado o príncipe herdeiro Francisco Fernando (28 de junho de 1914).

Por vontade de seus pais e não sua, entro na Academia Militar de Wiener Noustadt, que abandonou depois de três meses, molestado pela corrupção do ambiente. Em 1915, iniciou os estudos na Universidade de Viena, aspirando a ser professor, para pode dedicar-se à instrução e educação dos jovens na Bósnia, seguindo o exemplo de seu professor Ljubomir Marakovic, por quem sentia uma profunda gratidão por haver-lhe ajudado a descobrir as riquezas do catolicismo.

Em março de 1916 teve que alistar-se no exército. Foi enviado ao “front” italiano, onde passou a maior parte dos anos de 1917 e 1918. Ao terminar a I Guerra Mundial, encontrava-se em Banja Luka, ode vivenciou a mudança política e o nascimento do novo Estado Iugoslavo. A experiência da guerra fê-lo amadurecer espiritualmente, pois, impressionado pelos horrores dos quais foi testemunha, colocando-se nas mãos de Deus, propôs-se tender com todas as suas forças à perfeição cristã.

É possível seguir seu desenvolvimento espiritual graças a seu diário íntimo, que começou a escrever durante seus estudos secundários e prosseguiu no exército, no “front”, e durante os estudos universitários. Nele se aprecia que sua santidade não foi fácil, que teve que lutar muito por seu ideal.
Atormentava-o o problema do amor e, logo, o da dor e da morte, que resolvia à luz da fé.

sábado, 22 de abril de 2017

A VONTADE

A GRANDE GUERRA 
(LE COMBAT DE LA PURETÉ)
PELO PE. J. HOORNAERT, S.J.


17.ª Arma: a vontade

Neste nosso século de moleza e de comodidades, em que os moços, com um tostão, poupam-se a fadiga de cem metros de caminho que deveriam fazer a pé, tomando os carros elétricos, ou o ascensor, para evitar a subida de quarenta degraus, não será demasiado insistir sobre a grande importância da vontade.
Multíplices são as causas que enervam a sensibilidade.
Muito poucas as que contribuem para tornar viril o jovem, dando-lhe a verdadeira robustez.
A sólida formação do carácter e a educação geral da vontade, é que se deveria ter em vista, para toda e qualquer formação dos jovens.
Que fazer de todos esses abúlicos, desses anêmicos, cujo sangue parece carecer de glóbulos vermelhos e abundar de leucócitos?
Convencei-vos de que o menino mais disciplinado, o que tivesse maiores prêmios no colégio e fosse mesmo presidente de Congregação e conquistasse, cada ano, o primeiro prêmio de comportamento, estaria terrivelmente exposto a fraquear, se lhe falhasse a vontade.
Não é verdade? A pureza, sendo uma luta, exige lutadores e não, para repetir uma celebre expressão, “franguinhos piedosos”. São delicadinhos e ternos os frangos, mas, não vedes? que papel desempenham nos combates?!…

Não basta ser alguém ajuizado, é necessário que seja também enérgico e até ardente, pois “nada se faz de grande, sem as paixões”; e para se vingar em qualquer empresa, “é necessário ter o diabo no corpo”. (Tocqueville).
Retomemos, por alguns instantes, o assunto das leituras, encarado sob este aspecto, de que nos ocupamos: o da vontade.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

BEATO LUIS MAGAÑA SERVIN


Arandas, povoado localizado na região de "Los Altos" de Jalisco, é uma terra que, como quase todas as terras de nossa nação mexicana, tem um legado histórico interessante.
Em seu tempo, pertenceu à Diocese de Valladolid, hoje Arquidiocese de Morelia, Michoacán, cujas terras pertenciam a um cavalheiro espanhol chamado Andrés de Villanueva, quem em meados do século XVII, fundou a primeira comunidade não precisamente indígena, mas sim miscigenada entre nativos, espanhóis e alguns franceses. Por essa razão, as pessoas dessa região de "Los Altos" de Jalisco mantém alguns traços  europeus: pele clara, cabelo loiro, estatura alta e - em geral - olhos claros.
Luis foi uma criança tranquila. Não gostava de se envolver em confusões, ainda que adorasse as brincadeiras infantis daquele tempo: bolinhas de gude, rodar pião, yo-yo, "las ramitas". Mais tarde, se apaixonou pelo jogo de beisebol.

Já um pouco mais crescido, passou a ajudar a seu pai Raymundo na "tenería" (n.d.t. local onde se curtem e preparam peles, "curtume"); com empenho e espírito de sacrifício, levantava-se bem cedo e ia à Missa das 5 da manhã, juntamente com seu pai, em seguida tomava café e ia à escola. Pela tarde, ajudava nas atividades de curtume, rezava o rosário em família, jantava e então ia para a cama.

Assim eram todos os dias, seguindo um horário fixo e disciplinado; duas vezes por semana ia aprender o catecismo, ensinado por uma catequista, onde aprendia palavra por palavra as respostas do livro do padre Ripalda.

"Cresceu muito parecido ao seu pai - recorda Ignacio González López - sendo seu braço direito em tudo, chegando inclusive a ficar à frente da "teneria". Ainda que Luis trabalhasse em meio aos couros malcheirosos, estava sempre alegre e bem-humorado".
Várias testemunhas afirmaram ser Luis muito conhecido e apreciado pelo seu interesse nas questões sociais, impulsionado pela leitura da encíclica Rerum Novarum que Sua Santidade o Papa Leão XIII publicou em 1891. Juan Camarena Vázquez assegurou que ele pertencia à Associação de Santa María de Guadalupe, que reunia os obreiros, camponeses e artesãos.

sábado, 15 de abril de 2017

O pai nosso e os vícios capitais

Orlando Fedeli


Hugo de São Victor, famoso mestre medieval, deixou-nos esplêndidos comentários e sermões, além de sua famosa obra 'Didascalion'.

Um de seus muitos opúsculos trata dos Cinco Septenários que haveria no tesouro da Igreja: os sete pedidos do Pai Nosso; os sete vícios capitais; os sete dons do Espírito Santo; as sete virtudes e, por fim, as sete bem-aventuranças.

Poeticamente – esse excelente autor medieval sempre fala com poesia –, ele nos explica que os sete vícios capitais são comparáveis aos sete rios de Babilônia, que espalham todo o mal, gota a gota, por toda a terra, pois deles defluem todos os pecados. Por isso, lembra ele, a Escritura nos diz :

'Junto aos rios de Babilônia nós nos assentamos e choramos lembrando-nos de ti, ó Sion'(Sl CXXXVI,1).

Hugo de São Victor coloca os vícios capitais em uma certa ordem lógica, a fim de relacioná-los com os sete pedidos do Pai Nosso. Assim ele ordena os vícios capitais: soberba, inveja, ira, preguiça ou tristeza, avareza, gula e luxúria.

O primeiro vício capital, causa primeira de todos os nossos males espirituais, é a soberba. Por esse vício atribuímos a nós mesmos, ao nosso próprio ser, a causa do bem existente em nós. Pela soberba deixamos de reconhecer a Deus como fonte de todo o bem. Ao fazer isso, o homem deixa de amar o Bem em si mesmo, para amar o bem enquanto existe nele próprio, porque existe nele. Dessa forma, o homem rompe a sua união com a fonte do bem. Condenando a maldade do orgulho, exclama o mestre:

'Ó peste de orgulho, que fazes tu aí? Por que persuadir o riacho a se separar de sua fonte? Por que persuadir o raio de luz a romper sua ligação com o Sol? Por que, senão para que o riacho, cessando de ser alimentado pela fonte, seque, e que o raio de luz, cortada sua união com o Sol, se converta em treva? Por que, senão para que assim ambos, no mesmo instante em que cessam de receber o que ainda não têm, percam imediatamente aquilo mesmo que já têm?'